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Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% após eleição de Lula

No primeiro pregão depois da confirmação da reeleição de Lula, em 26 de outubro de 2026, o dólar à vista fechou em R$ 5,4027 e o Ibovespa perdeu 13,88%. Os dois números aparecem em mais de um veículo consultado e a verificação da confirmação. A causa do movimento é outro assunto: a tese de que […]


No primeiro pregão depois da confirmação da reeleição de Lula, em 26 de outubro de 2026, o dólar à vista fechou em R$ 5,4027 e o Ibovespa perdeu 13,88%. Os dois números aparecem em mais de um veículo consultado e a verificação da confirmação. A causa do movimento é outro assunto: a tese de que os investidores reagiram às sinalizações fiscais do novo governo, e não apenas ao resultado das urnas, é avaliação de analistas e de instituições financeiras, publicada em cada caso por um único veículo.

O que se confirma

O Ibovespa caiu 13,88% naquele segundo 26 de outubro, os registros da Exame e do Poder360. As duas publicações situam o pregão como o terceiro pior desde o começo da pandemia, atrás de 12 de março de 2020 (-14,78%) e de 16 de março de 2020 (-13,92%), e como o quinto maior tombo desde 1994.

No câmbio, o Exame apurou avanço de 8,21% do dólar à vista, a R$ 5,4027, a maior alta diária desde 1999. A Metrópoles registra 8,22% e pico de R$ 5,51, enquanto a máxima pelo Exame é de R$ 5,6048. A diferença entre 8,21% e 8,22% é de um centésimo de ponto; as máximas, porém, não coincidem, e nenhuma das duas publicações detalha as categorias de apuração.

O ponto de partida do movimento também é confirmado pela Exame e pelo Poder360: parte do mercado trabalhou com as hipóteses de vitória de Flávio Bolsonaro, identificada como mais submetida a um ajuste fiscal, e a confirmação de Lula forçou os investidores a refazer preços.

O que não está confirmado

Boa parte dos detalhes do pregão aparece em um único veículo. A Exame informou que a B3 acionou o disjuntor na abertura, com 30 minutos de negociações suspensas, algo que não ocorria havia mais de seis anos. A Metrópoles relata a interrupção, mas acrescenta uma segunda parada, no Ibovespa futuro, após a reabertura —ponto que a Exame não menciona. Nenhuma outra fonte consultada confirma a duração nem o intervalo desde o último acionamento.

Somente a Exame trouxe o desempenho papel a papel e os volumes do dia:

  • Banco do Brasil (-29,33%), BTG Pactual (-24,83%) e Bradesco (-21,70%) entre as maiores perdas;
  • Suzano (+10,08%) e Embraer (+8,89%) entre as altas;
  • 68 dos 76 papéis do índice fecharam em baixa;
  • R$ 88,6 bilhões de volume, cerca de três vezes a média diária;
  • recuo máximo de 17,34% no pior momento do dia.

Nenhuma outra fonte consultada reproduz esses números, que ficam, portanto, como informação de um só veículo.

As projeções do Morgan Stanley vêm exclusivamente do InfoMoney e descrevem cenários, não resultados: dólar entre R$ 5,50 e R$ 5,70, com R$ 6,00 no cenário adverso; Ibovespa recuando 20% a 30%, para cerca de 130 mil pontos; abertura de 300 pontos-base na curva de juros; 50 pontos-base nos spreads de títulos em dólar e 40 pontos-base nos CDS de cinco anos. Segundo a mesma reportagem, o banco afirmou que a escolha do ministro da Fazenda e os sinais de ajuste fiscal serão decisivos. É avaliação de instituição financeira, não fato apurado.

Sobre a pergunta mais direta — se as projeções de queda de até 30% se confirmaram ou foram exageradas —, não há dado que permita resposta: o alvo do banco é um limite do índice, e o que existe até aqui é o movimento de um único pregão.

A formulação que descreve o dia como a maior queda desde 1998 também não se sustenta. Os números da Exame e do Poder360 indicam o terceiro maior recuo desde o início da pandemia e o quinto desde 1994.

Contexto

Lula foi reeleito em 26 de outubro de 2026 com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro. Na avaliação do Morgan Stanley reproduzida pelo InfoMoney, o novo Congresso terá perfil mais ao centro e à centro-direita, o que dificultaria a aprovação de medidas estruturais; compromissos de campanha, orçamento rígido e desaceleração da economia ampliariam os riscos fiscais em 2027.

A estrategista de ações da Nomad Rebecca Nossig descreveu o dia à Exame: “O pregão desta segunda-feira foi marcado por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político. inicial”.

Na mesma reportagem, ela afirmou que o movimento reforça a busca por proteção: “Esse forte descolamento reforça a postura dos agentes financeiros, que optaram por se abrigar no dólar como um ativo de segurança imediato imediatamente ao choque inicial e das incertezas macroeconômicas locais”.

O que ainda não se sabe

Não há informação sobre quem comandará a Fazenda nem sobre quais medidas fiscais serão impostas — justamente os dois pontos que, na leitura do Morgan Stanley, mais pesam na precificação dos ativos.

Também não pretendemos projeções verificáveis ​​sobre juros, inflação e crédito caso o dólar se mantenha acima de R$ 5,50. Nenhum dos veículos consultados apresenta esse projeto, e a verificação não localizou estudo independente com o mesmo recorte.

Segue em aberto, ainda, como o mercado avalia a promessa de Lula de mudar a forma de governar e a relação do novo governo com o Congresso: as fontes consultadas não trazem declaração ou relatório que trata especificamente do tema. As projeções do banco continuarão dependentes do que o novo governo sinalizará nas próximas semanas.



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