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Dólar em alta e ADRs em queda após vitória de Lula

O primeiro pregão depois da vitória de Lula no segundo turno começou com aversão a risco. O Exame publicou que o dólar abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,425, e CNN Brasil e Metrópoles informando quedas de dois dígitos em papéis e fundos de empresas brasileiras negociados fora do país. A verificação confirma o […]


O primeiro pregão depois da vitória de Lula no segundo turno começou com aversão a risco. O Exame publicou que o dólar abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,425, e CNN Brasil e Metrópoles informando quedas de dois dígitos em papéis e fundos de empresas brasileiras negociados fora do país. A verificação confirma o panorama de fundo — a surpresa do resultado e o recebimento com a política fiscal —, mas cada percentual específico aparece em um único veículo e segue atribuído.

O que se confirma

Dois pontos aparecem em mais de uma fonte consultada, de forma independente. O primeiro: o resultado contrariou a expectativa predominantemente do mercado, que trabalhou com mudança de governo, e o movimento envolveu parte da queda de mais de 4% do dólar registrado depois do primeiro turno. CNN Brasil e Exame descrevem o mesmo cenário.

O segundo: a preocupação central dos investidores é a trajetória das contas públicas, com expectativa de uma política econômica de maior participação do Estado e ajuste fiscal mais moderado. g1 Economia e Exame confirmam o diagnóstico.

O que não está confirmado

Os números divulgados na abertura têm apoio desigual. O Exame foi o único veículo consultado a registrador com alta de 8,65% do dólar e a cotação de R$ 5,425 no início do pregão; nenhuma outra fonte consultada confirma o percentual exato.

A lista de quedas no pré-mercado americano também vem de um só lugar. A CNN Brasil divulgou ganhos de 20% na Petrobras, 28,5% no Itaú Unibanco, 26,8% no Bradesco e 24% no Nubank, além de 10,3% no Mercado Livre. São dados atribuídos, não confirmados por outra fonte.

O Metrópoles, por sua vez, informou queda de ao menos 26% da XP e do Itaú no início do pregão nos EUA e resgate superior a 5% do Santander e da Telefónica na Europa — igualmente sem confirmação independente.

Há divergências sobre o fundo negociado em Nova York que replica o índice brasileiro: a CNN Brasil falou em queda de 26%, e o Metrópoles, em 27%. As duas versões são atribuídas e nenhuma prevalência sobre a outra até aqui. Os dois veículos citam ainda recobertos de 15% do fundo equivalente no Japão durante a madrugada, descrito como a maior perda diária desde 2008.

Também depende de uma única fonte: a sinalização, relatada por especialistas ao g1, de uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal; a informação de que Flávio Bolsonaro não divulgou o resultado e pedirá anulação do pleito (CNN Brasil); a alta de mais de 27% do Ibovespa no ano, com maior salto diário em 5 de outubro desde março de 2020 (CNN Brasil); e o fato do Boletim Focus ainda não reflete a ocorrência do mercado, por ter coletado expectativas até a sexta-feira anterior (g1).

Duas teses que circularam não se sustentaram nas fontes consultadas. A versão de que a votação decorre também da decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação não foi sustentada por nenhuma das fontes ouvidas. Da mesma forma, não há registro, nenhum material consultado, de intervenção do Banco Central no câmbio com uso de reservas.

Contexto

Antes do resultado, o mercado precificava continuidade de reformas e uma política fiscal mais restritiva. A maior parte das pesquisas divulgadas nas semanas anteriores apontava vantagem do adversário, o que ajudava a explicar a intensidade da ocorrência.

“A vitória surpreendente de Lula vai frustrar as esperanças de reformas que melhorariam as finanças públicas e fortaleceriam as perspectivas de crescimento”, afirmou William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, na declaração apresentada pela CNN Brasil.

Pesa também o fator técnico. g1 e Metrópoles lembram que o disjuntor é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10%, com interrupção de 30 minutos. A última vez que a B3 recorreu ao mecanismo foi em 2020, durante a pandemia.

O que ainda não se sabe

As fontes consultadas não trazem a variação do dólar e dos ADRs ao longo de todo o pregão — apenas abertura e pré-mercado. Também não é claro se o disjuntor chegou a ser acionado.

Faltam detalhes sobre quais medidas fiscais concretas o novo governo pretende adotar, sobre o comportamento dos juros futuros domésticos e sobre qualquer posicionamento oficial do Banco Central ou da equipe econômica a respeito da condução da política monetária. Não há confirmação, até aqui, de que o resultado eleitoral seja questionado na Justiça.



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