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Trump fala em fraude na eleição brasileira; Desconto Alckmin

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas na tarde de segunda-feira (26) que a eleição brasileira vencida por Luiz Inácio Lula da Silva pareceu fraudulenta. A declaração foi registrada pelo g1, pelo Poder360, pela Agência Brasil e pelo Metrópoles, e nenhum desses textos apresenta número, documento ou episódio concreto usado por ele […]


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas na tarde de segunda-feira (26) que a eleição brasileira vencida por Luiz Inácio Lula da Silva pareceu fraudulenta. A declaração foi registrada pelo g1, pelo Poder360, pela Agência Brasil e pelo Metrópoles, e nenhum desses textos apresenta número, documento ou episódio concreto usado por ele para sustentar a acusação. A verificação confirma que a fala existe e foi feita nesse contexto; não confirma a fraude, que nenhuma fonte consultada sustenta.

A resposta do governo veio no dia seguinte. Em entrevista à Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo no interior paulista, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a declaração como “totalmente equivocada” e defendeu a não interferência em assuntos internos de outros países. Ele também separou a crítica da disposição de seguir negociando um acordo comercial com Washington.

O que se confirma

Quatro veículos registraram a fala de Trump no mesmo sentido. Segundo o g1 e o Metrópoles, ele afirmou que não apoiou candidato, mas que o pleito passou ao mundo uma imagem ruim e que as eleições precisam ser incontestáveis.

“Eu não tomei partido, mas me pareceu mais uma eleição fraudulenta.” — Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

O g1 e a Agência Brasil também confirmaram que, questionado sobre o que faria diante disso, Trump respondeu que não governa o Brasil e que mantém boa relação com Lula.

“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só pensei que a eleição foi… eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele” — Donald Trump

A réplica de Alckmin aparece no g1, no Poder360, na Agência Brasil e no Metrópoles. Nas quatro publicações, ele afirma que Trump não apresentou referencial algum para falar em fraude e trata a urna eletrônica e a segurança jurídica brasileira como exemplos para outros países.

“Totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar.” — Geraldo Alckmin, vice-presidente da República

Poder360, Agência Brasil e Metrópoles confirmaram ainda que o vice-presidente vinculou o episódio à agenda comercial, citando acordos do Mercosul com Singapura, com a União Europeia e com o Canadá, além de alta superior a 30% nas exportações para a Europa em cinco meses.

“Nós, encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos pra ter um bom acordo” — Geraldo Alckmin

O que não está confirmado

Uma fraude. Nenhuma das fontes consultadas traz evidências de irregularidade. O que os textos registrados são uma impressão declarada por Trump, não um fato verificado — e a acusação é dele, não deste portal.

A menção à prorrogação do horário. Apenas a Agência Brasil registrou que Trump mencionou especificamente a extensão do espaço de votação como algo estranho.

“Acho que pareceu ruim a eleição, o jeito que foi organizado, com a prorrogação (do prazo de votação). Muito estranho” — Donald Trump

O mesmo veículo informa que o ministro do STF Cristiano Zanin ampliou o horário em duas horas, até as 19h, após registros de restrição ao transporte coletivo em diversas cidades. g1 e Metrópoles ficam na crítica genérica à organização do pleito, sem citar a prorrogação, e nenhuma outra fonte consultada confirma o detalhe.

Os percentuais. Poder360 e Agência Brasil trazem Lula com 51,8% dos votos válidos (cerca de 64,2 milhões) e Flávio Bolsonaro com 48,2% (59,8 milhões). O Metrópoles Pública 51,79% e 48,21%. A confirmação do resultado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, aparece no texto do Poder360; não a localizamos, na mesma formulação, nas demais publicações consultadas.

O reconhecimento americano. A informação de que, até segunda-feira, a Casa Branca não havia divulgado mensagem parabenizando Lula nem registrando formalmente o resultado consta apenas no Metrópoles, segundo o qual a administração Trump adiou a publicação de uma manifestação sobre o pleito.

As reações internacionais. A lista de chefes de governo das Américas que cumpriram Lula — entre eles José Antonio Kast (Chile), Abelardo de la Espriella (Colômbia), Santiago Peña (Paraguai), Daniel Noboa (Equador), Claudia Sheinbaum (México) e Mark Carney (Canadá) — e a informação de que o argentino Javier Milei não foi anunciada está apenas no g1.

A pressão dos parlamentares democráticos. A Agência Brasil relata que 31 congressistas democratas enviaram carta à Casa Branca em 24 de setembro, solicitando que Trump não interferisse em favor de Flávio Bolsonaro. A acusação de que o governo americano introduziu medidas para tentar garantir a vitória do candidato derrotado — entre elas o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes — é dos signatários da carta e não foi confirmada por outra fonte consultada.

Contexto

A fala de Trump foi feita no dia seguinte ao segundo turno, realizada no domingo (25), e repete um argumento de que a campanha do derrotado já teve: o de que a extensão do horário de votação seria suspeitas. A decisão de ampliar o atendimento partiu da Justiça Eleitoral, não do governo eleito.

O episódio ocorre num cenário em que a vitória de Lula foi cumprida por governos de esquerda e de direita do continente, enquanto Washington ainda não havia se manifestado formalmente. Alckmin tratou a crítica como ruído separado do comércio: segundo ele, o Brasil segue batendo recorde de exportação mesmo com a tarifação americana.

O que ainda não se sabe

Não há registro, nos textos consultados, de nota do Itamaraty sobre a declaração nem de contato diplomático formal entre os dois países a respeito do tema.

Também não está claro se os aliados de Flávio Bolsonaro ecoaram publicamente a fala de Trump, nem houve efeito prático sobre a transição ou sobre a relação Brasil-EUA além da sinalização de Alckmin de manter as negociações. Os textos não detalharam, por fim, quais restrições ao transporte coletivo motivaram a prorrogação da votação.



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