O Departamento de Estado dos Estados Unidos vai emitir vistos para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e para a família dele e permitir a entrada do grupo no país. A declaração é de um alto funcionário do Órgão, ouvido pela CNN Brasil: “O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”.
A verificação, porém, separa o que está documentado do que ainda depende de uma única fonte. A viagem do senador aos EUA é apontada pela imprensa internacional e aparece em mais de um veículo consultado. Já o anúncio dos vistos, o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes e o cancelamento dos passaportes constam, até agora, de reportagens sem confirmação independente.
O que se confirma
O destino norte-americano é o ponto que a verificação é confirmada em fontes diferentes. O g1 e o Poder360 registraram que a Reuters e o New York Times noticiaram que Flávio está no caminho dos Estados Unidos.
As duas publicações também relatam a correção feita pela CNN Brasil: a emissora informou primeiro, citando um funcionário americano, que o destino seria a Flórida, e depois disse não haver confirmação do local exato. Nenhuma autoridade divulgou, até a publicação, registro oficial de entrada do senador em território americano.
O que não está confirmado
A emissão dos vistos é atribuída a um alto funcionário do Departamento de Estado, em reportagem da CNN Brasil. O g1 publicou que autoridades da Casa Branca confirmaram a mesma disposição do governo americano, mas nenhuma outra fonte consultada apresentou o anúncio oficial, e o Departamento de Estado não divulgou nota sobre o caso.
O prazo para a entrega dos passaportes também vem de uma única fonte. A CNN Brasil publicou que a PF pediu os documentos na segunda-feira (26) e que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, fixou o limite das 11h de terça-feira (27). Segundo a emissora, Flávio não entregou os documentos no prazo, e a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático dele, restringindo os documentos nos sistemas de migração. O Poder360 também noticiou o cancelamento.
A motivação da decisão é descrita pela CNN Brasil: o recebimento, atribuído à PF, de que o senador deixou o país investigador apurar inquérito por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, de uma fala do irmão Eduardo Eduardo apoiando a saída do Brasil caso Flávio perdeu a eleição. O Poder360 registra que o senador é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Não há, nas fontes consultadas, registro de publicações no caso.
Sobre a saída do país, aliados disseram à CNN Brasil que Flávio deixou o território brasileiro com a família boato aos EUA, informação que autoridades americanas confirmaram à Reuters e que chega ao g1 e ao Poder360. A defesa informou à CNN que o último contato com o senador foi às 16h30 de segunda-feira (26), e o governo brasileiro não tinha, até a publicação, informação de que ele estava no país.
O site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina em voo privado. A informação não foi confirmada, e o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, negou a entrada: “Não tem nenhum pedido de asilo e não há nada mais para acrescentar (quanto a isso)”. A CNN Brasil apurou ainda que a PF alertou autoridades argentinas sobre o eventual risco de saída do país.
Contexto
O Poder360 publicou que Flávio perdeu a eleição presidencial de domingo (25) para Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a CNN Brasil, o governo de Donald Trump soube na segunda-feira do prazo estabelecido por Moraes e informou ao senador que permitiria sua entrada nos EUA.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, tem trânsito no Departamento de Estado e foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, conforme o Poder360. No PL, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, disse ao g1 estar surpreso com a notícia da saída; A CNN Brasil apurou que aliados cobraram do senador um vídeo ou nota para esclarecer a situação.
O que ainda não se sabe
- Qual o local exato de entrada nos EUA e se existe registro oficial de entrada divulgado por autoridade americana.
- Se há confirmação oficial de que o senador já deixou o território brasileiro.
- Qual o tipo de visto a ser emitido, com prazos e condições.
- Quais consequências a PF e o STF apontam para o não cumprimento da decisão do ministro — nenhum dos dois divulgou manifestação até a publicação.
- Qual será a posição do governo brasileiro sobre eventuais efeitos diplomáticos da concessão de vistos e sobre a tese de proteção política levantada nos bastidores.

